terça-feira, 7 de abril de 2020

O POÇO: quando um filme, mesmo "perturbador", nos ensina sobre mediação

"El Hoyo", foi com esse título que assisti; no entanto, em nossa língua mãe (português), o referido filme tem como título: 'O POÇO"!

Trata-se de uma prisão vertical, onde, em cada nível há 2 prisioneiros, e no meio deles um fosso grande e quadrado que, se você olhar perderá de vista a quantidade de níveis que existem (abaixo ou acima, dependendo do nível que parta seu olhar)!

Esse buraco (fosso) serve para passar uma grande mesa com comida e bebida; não raras vezes, também serve para que um colega de nível jogue o outro para a morte certa (assim, "sobra mais comida")!

A mesa começa cheia, de cima para baixo, logo, como é de se imaginar, os de baixo vão comer por último, o que sobrar (e se sobrar)!

Mas, como assim, o que sobrar? Não há comida para todo mundo?

Claro que sim, segundo disse uma das prisioneiras (antes  era administrativas do poço - que acabou presa, não sei o porquê), há uma boa porção para cada pessoa que está no poço (todos os dias), todavia, não é isso que se passa!

O poço faz uma referência (quase) literal da vida aqui fora. Em grande parte das vezes e, em parcela significante dos países, as pessoas agem (em certos momentos, ou no dia-a-dia) como "selvagens" ("se o pirão é pouco, o meu primeiro")!

Outras, de forma ainda mais bizarra, agarra o pirão todo, como agora (papel higiênico, álcool gel, gás de cozinha, máscaras, etc, e simplesmente entulham em casa para, acaso a situação piore eles passem bem - se acaso não piorar, apenas revendem a preços exorbitantes, para quem ainda precisa).

Estamos vivendo nesse poço, apesar de não estarmos presos, estamos confinados enquanto alguns seres especiais zelam por nossa saúde; que não falte comida; que a luz e a internet funcione; que a segurança exista, e a educação permaneça acontecendo (mesmo que online); que as ruas sejam limpas e o lixo recolhido, o fogo apagado, que ambulâncias circulem, que a comida seja vendida e entregue, etc.

Felizmente, existem essas pessoas que estão fora do poço, para que nós estejamos nele ("seguros"), seguindo regras; assim, nem eu, nem você, devemos transformar a vida deles, que já é perigosa, (pois estão em uma "guerra"), em algo ainda mais apavorante - reflexão nesta hora, #empatia neste momento e #gratidão para sempre - #fiquememcasa!



O ideal seria que o mundo funcionasse como na Mediação, (GANHAR/GANHAR), e não PERDER ou GANHAR, adotado pelo judiciário do Brasil e de muitos países; no entanto, verdade seja dita, está ultrapassado. 

Eles decidem a vida familiar, das sociedade, do comércio e do consumidor; decidem os problema condominiais, trabalhistas ou empresariais de cada pessoa física ou jurídica que prefere demandar o "desafeto" ou devedor em juízo; ou, quando é caso de crime e a pessoa é obrigada, por lei, a ser julgada por um Juízo penal constituído pelo Estado.  

E, sempre, independente da causa, mesmo correndo o risco de injustamente perder, as partes seguem preferindo "brigar", sabendo que no final quem decidirá não é o SEU, ou o advogado da outra parte, mas um Juiz, um ser humano, que, quer queira, quer não, tem suas convicções sociais e religiosas (nunca vai assumir que decidiu a partir delas), mas sempre estará mais influenciado por uma parte, que pela outra!

Por outro lado, na Mediação quem decide são as partes, a partir de um diálogo, acompanhado, "dirigido" por um Mediador imparcial, neutro e impedido de difundir quaisquer assunto que seja, ou foi discutido durante as sessões de Mediação; a justiça, por sua vez, é pública; raras vezes há segredo de justiça e quando permitido por lei!

Na mediação o segredo faz parte (é LEI - veja a 13.140/2015), tudo que for acordado, ou NÃO, será destruído após as sessões, exceto o Acordo assinado por todos os participantes e homologado em uma Câmara Arbitral, ou em Juízo (Título Executivo das partes); no mais, o Mediador sequer poderá depôr como testemunha do caso - a exceção é para crime ou ameaça durante as sessões, que, neste caso, devem encerrar e ir para o Ministério Público ou Delegacia de polícia.

Então, caros amigos, Mediar é, ou NÃO legal?

Não deixe de ver o vídeo, nele falo, também, acerca da Teoria dos Jogos (na Mediação), e após isso, coloco ela no contexto do POÇO!


Por Elane Ferreira de Souza, Advogada atuante só em consultoria ou casos de família, Autora deste e 
dos Blogs Divulgado Direitos
Diário de Conteúdo Jurídico
DCJ no JusBrasil, a 
fã page de DCJ, mais o canal do YOUTUBE de nome Diário de Conteúdo jurídico. 
(ao copiar o texto ou redistribuir cite a fonte e link - grata).

Fontes: Apostila Dr. PhD. Professor Jean Carlos  S. Dal Bianco - IBRAMAC-PE

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário - será um prazer ler, e até tirar sua dúvida quanto a este modelo de resolução de conflito.

CITAÇÃO DA MEDIADORA

"Legalize mediando, porque mediar é legal" (Por Elane F. Souza - Mediadora Judicial e Extrajudicial )

OBRAS INTERESSANTES

  • Nada és tan Terríble - por Rafael Santandreu Psicólogo-ES
  • Meditações - MARCO AURÉLIO (Imperador romano e Filósofo estóico)
  • La Brevedad de la vida - SÊNECA
  • Inquirídion (Manual de Epicteto), por Flávio Arriano
  • Depredadores Emocionais ou Tóxicos Narcisistas - por Elane Souza

Seguidores