sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Quando ser feliz é melhor que ter razão

Para quem ainda não sabia, a Mediação, a Negociação, a Conciliação e a Arbitragem são milenares; desde a época de Cristo e muito antes, já solucionavam conflitos a partir dos modelos citados e de muitos outros; 


veja, por exemplo, o que aconteceu quando o Rei Salomão foi procurado para "decidir" (resolver) um conflito entre duas senhoras que afirmavam ser mãe de um único bebê.

Não sabemos se eram irmãs, ou esposas de um mesmo homem, o fato é que moravam juntas: durante certa noite uma delas acabou se virando e sufocou o próprio filho; ao acordar, vendo o filho morto, esta tratou de pegar o filho da outra e colocar o seu, (falecido), no lugar.

Foi então que ambas começaram um grave desentendimento que acabou tendo que ser levado diante do Rei, para este decidir!

Uma vez, frente ao Rei Salomão, e contestadas, cada uma dizia que o filho era seu - o rei, sabiamente disse que a única forma das duas ficarem satisfeitas seria partir o bebê ao meio, assim, cada uma ficaria com uma parte, propôs isso porque não foi capaz de ver a verdade em nenhuma das mães.

No entanto, ao agir assim a verdadeira mãe logo apareceu, se fez notar, se revelou por meio de palavras! 

- Prefiro que o bebê fique com ela, que ser dilacerado (partido ao meio, morto), a outra ainda preferia que partisse a criança, do que abrir mão dele!

A senhora que preferiu entregar o bebê a outra, que partí-lo ao meio, é a típica pessoa que prefere ser feliz a ter razão; essa atitude acabou deixando claro que o filho era dela, não da outra - piedade e amor incondicional a criaturinha, 'objeto' do conflito, foi a razão pela qual ela decidiu abrir mão do filho.

A partir das atitudes citadas, o Rei Salomão deu a criança a verdadeira mãe!

Na atualidade criaram uma EStória, creio que partiu da Escola Tradicional Linear de Harvard (Roger Fisher e Willian Uri), onde uma mãe chega em casa e vê as duas filhas em conflito por uma única laranja. 

- O que ela faz?

Não pergunta, não discute, não indaga, não quer saber o porquê cada uma das meninas quer a laranja inteira - simplesmente pega uma faca, parte a laranja ao meio e entrega metade dela a cada uma das filhas.

Não resolveu o conflito, afinal cada uma queria a laranja inteira: uma só a casca para fazer doce, a outra só o miolo para fazer um suco; se perguntasse a ambas, ela certamente saberia decidir melhor - daria toda a casca a uma e o miolo a outra (partindo, não solucionou o conflito, ambas as meninas foram chorar porque acreditavam que metade não daria um suco e a outra, que metade da casca não daria um doce).

Obs.: No meu modesto entendimento, esse fictício conflito ainda poderia ser resolto por elas mesmas - poderiam espremer as duas metades para o suco, e, após feito isso entregar as duas partes para a que queria fazer o doce, retirar a casca - todavia, uma decisão assim só deve ser tomada pelas partes envolvidas, um mediador apenas conduz e orienta para que os envolvidos cheguem a um bom acordo para todos!

Outras Escolas importantes, além da de Harvard são: modelo Transformativo de  Bush e Folger; o método Circular-narrativo de Sara Cobb (um misto da Escola de Harvard) e o criado por um Mestre Brasileiro (PhD), que admiro muito, de nome Jean C. Lima Dal Bianco, denominado por ele de Aceitação-Conformativa (sua elaboração se deu a partir dos modelos satisfativo de Harvard, onde estudou, somado ao Transformativo de Bush e Folger. (*Em outra oportunidade falaremos de cada uma delas).

Mesa redonda na Mediação
Mediar é legal - mesa redonda na Mediação


Enfim, não conversando, não dialogando, definitivamente não se entende, o conflito permanece. Delante de um juízo oficial é quase sempre assim, muitas vezes o Magistrado sequer deixa as partes manifestarem de forma pacífica, muito menos acolhedora: "pressiona, intimida" e no final, apenas decide o conflito como ele acredita ser o mais correto. Isso é um terceiro decidindo o que é melhor para sua vida - na Mediação as próprias partes, sem interferência de um terceiro, são os que decidem!

Escutar, ativamente, e se colocar no lugar do outro (empaticamente), são  as formas mais conhecidas de se chegar a um consenso rápido, quando comparado a levar a demanda a Juízo para que outro (um técnico em Direito - um Juiz togado) decida o que é melhor; sabendo, de antemão, que a "razão" será dada a um, ou  pelo menos mais direcionada a um, que a outro! Ambos nunca saem 'totalmente' satisfeitos e não raro voltam a Justiça com a mesma ou nova demanda!

Obs.: Em tempos Medievais os Vikings (navegadores Nórdicos) já faziam mediação - isso fica claro na série nomeada VIKINGS, já na 5ª Temporada.
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Veja também:


Por Elane F. de Souza (Advogada, autora dos seguintes blogs, pg do face  e canal do youtube - *LEMBRETE: ao copiar ou redistribuir  este texto cite, obrigatoriamente, a fonte, Gracias!).
O canal DCJ no Youtube.

Imagens: Pixabay Grátis por Hebi B , no entanto editada por Elane Souza, com Canva
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CITAÇÃO DA MEDIADORA

"Legalize mediando, porque mediar é legal" (Por Elane F. Souza - Mediadora Judicial e Extrajudicial )

OBRAS INTERESSANTES

  • Nada és tan Terríble - por Rafael Santandreu Psicólogo-ES
  • Meditações - MARCO AURÉLIO (Imperador romano e Filósofo estóico)
  • La Brevedad de la vida - SÊNECA
  • Inquirídion (Manual de Epicteto), por Flávio Arriano
  • Depredadores Emocionais ou Tóxicos Narcisistas - por Elane Souza

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